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01/09/2018

Tribunal de Justiça condena político mineiro por agressão a jornalistas

Não é novidade jornalista ser ameaçado e sofrer agressões no exercício de suas funções. Surpresa, mesmo, é quando o agressor paga pelo seu erro. E, em Varginha-MG, após um ano de espera, o vereador Marco Antônio de Souza (PRB) foi condenado em dois processos pela Justiça de Minas Gerais por agredir uma equipe de reportagem da EPTV Sul de Minas, afiliada da Globo.


A informação foi divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais. Na esfera civil, Marquinho da Cooperativa, como é conhecido, terá de pagar uma indenização por danos morais para a repórter Andreia Marques, ameaçada pelo político durante uma reportagem em Varginha.


No outro processo, movido pelo Ministério Público, o vereador foi condenado a fazer uma doação para uma entidade filantrópica e comparecer todo mês à Justiça para dar um parecer sobre suas atividades. Além disso, também está proibido de sair da cidade por mais de dez dias sem  autorização do juiz.


O caso aconteceu há pouco mais de um ano, no dia 4 de agosto de 2017. Andreia Marques e o repórter cinematográfico Tarcísio Silva faziam uma matéria sobre o problema do transporte de lixo para o novo aterro sanitário. Ao chegarem na entrada do Centro de Triagem do antigo lixão, um espaço público, os dois foram impedidos de entrar no local por Marquinho da Cooperativa.


Com a resistência da equipe de TV, o vereador começou as ameaças, enquanto a câmera estava ligada e dezenas de catadores de lixo assistiam a cena. “Você sabe com quem está falando?”, questionou Marquinho da Cooperativa, repetindo a pergunta mais duas vezes para Andreia Marques. “Aqui nóis já matou (sic) uns três, minha filha. Eu sou homem”, completou.


A repórter, então, o interrompeu, indagando se ele a estava ameaçando. O vereador respondeu com nova intimidação. “Não estou ameaçando, não. Tem mulher para conversar com você. Espera aí”, afirmou, apontando para o local onde estavam as catadoras.


Na sequência da discussão, ele percebe que tudo está sendo gravado e vai para cima do cinegrafista e lhe dá um chute. Alguns catadores de lixo pedem para não filmar. Pouco tempo depois, mais calmo, o vereador se dirige novamente à equipe de reportagem e pede desculpas e se prontifica a “conversar de boa”.


A conversa, no entanto, foi parar no tribunal. E o vídeo gravado serviu como prova para o juiz Morvan Rabêlo de Rezende condenar o vereador. “O réu, ao falar com a autora, dirigiu-se à mesma com tom de ameaça, inclusive em dado momento da gravação disse já ter matado três por ali, bem como determinou que fossem chamadas para a discussão as catadoras que estavam trabalhando, sob alegação de que, por serem mulheres, podiam conversar com a autora, caracterizando coação por parte do réu”, justificou em sua sentença.

 

 

Fonte: Portal Imprensa

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